O doce desafio de Daguia Tortas Finas

Daguia e a Torta Alemã, a mais vendida da casa

“O doce é um desafio, ou você acerta ou você acerta”. Dessa forma desinibida é que Maria Daguia Pereira Dantas (58), seridoense de Parelhas-RN, encara a profissão que escolheu com amor: ser doceira. Há 18 anos ela produz os doces da loja que leva seu nome na capital potiguar, no coração do bairro de Lagoa Nova, a Daguia Tortas Finas – 7 vezes a melhor doceria da cidade pela Veja. Numa manhã de Copa do Mundo, momentos antes do Brasil entrar em campo, as delícias também disputam o paladar da clientela enquanto Daguia revela alguns segredos de sua trajetória ao Conversa Gastronômica.

Mais de 30 tortas são produzidas pela Daguia Tortas Finas

Entre os mais de 30 sabores no receituário da casa, clássicos como Tentação, Chocolate com Menta e Alemã, tornam a vitrine tão colorida quanto os cabelos da doceira – com madeixas vermelhas e azuis. O negócio teve início em julho de 2000 após descontinuar o restaurante de comida caseira que possuiu por poucos anos. As sobremesas agradavam os clientes a ponto de passarem no local apenas para comprá-las, especialmente a Torta Alemã, a mais vendida até hoje.

Interior da loja em Lagoa Nova

A receita, que de alemã só tem o nome, Daguia conheceu em Teresópolis-RJ e trouxe para Natal com algumas modificações. A preparação ostenta um creme à base de manteiga, açúcar e creme de leite, disposto em camadas de biscoito e creme de chocolate. A cobertura é uma ganache meio amarga com rolinhos artesanais, feitos um a um. “Esse acabamento é a parte mais trabalhosa e os clientes não deixam tirar de maneira alguma”, indica Daguia. O sucesso é tanto que sua irmã Madalena, proprietária da Dalena Tortas Finas, também começou o próprio negócio no Recife com a mesma receita.

Daguia foi eleita por 7 anos consecutivos a melhor doceria da cidade pela Revista Veja

O cuidado nos detalhes faz diferença na Daguia Tortas Finas. Alguns ingredientes vêm de fora, como o creme de leite fresco de búfalo, oriundo de uma fazenda no interior de Pernambuco. Boa parte dos insumos utilizados também são de marcas específicas, nacionais e importadas, como Nestlé, Callebaut e Puratos. O esforço garante o padrão e a qualidade que no início não convencia as pessoas para o novo. “Muita gente chegava perguntando se era alguém de fora que fazia e cheguei a perder diversas tortas inteiras”, conta Daguia.

A Cheesecake é uma das tortas que a doceira faz questão de preparar – e sua predileta também

Mesmo tendo quatro pessoas na cozinha, algumas preparações ainda são feitas exclusivamente pelas mãos da doceira caprichosa. Além de todas as tortinhas individuais como a Bloco Negro e Torta do Bosque; Barreira Rocha, Muriú e Cheesecake – seu sabor preferido, com café – são exemplos de preparações que Daguia faz questão de fazer diariamente. Os nomes de praia nas criações fazem homenagem ao litoral do Rio Grande do Norte.

Os planos para o futuro, além de viagens à França e São Paulo para rever os filhos ou buscar inspiração, é uma segunda unidade em Ponta Negra. A novidade começa a ser planejada e pode tornar-se realidade ainda em 2018. Com localização privilegiada na Rota do Sol, além dos sabores tradicionais, algumas novidades e pratos exclusivos vão compor o cardápio. Sobre aposentar a touca e o avental, Daguia é enfática: “Posso até sair da cozinha, mas a cozinha não vai sair de mim”, conclui.

Daguia Tortas Finas

Av. Antônio Basílio, 3025. Lagoa Nova. Natal-RN.

Telefone: (84) 3201 – 9290

Despertei interesse pela gastronomia ainda criança. Aos 7 anos fiz brigadeiro na casa da minha avó após achar a receita numa coleção de confeitaria que eu costumava folhear escondido. Na adolescência cozinhar virou um hobby e criei o Conversa Gastronômica ainda na faculdade. Sou jornalista de formação e “gastrônomo” blogueiro de profissão.

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