A Páscoa pode pesar mais no bolso do consumidor em 2026. Com a alta de 24,77% no custo do chocolate, o reflexo nas gôndolas do mercado é o aumento do preço de barras, bombons e tradicionais ovos de chocolate. A fonte são dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que aponta para aumento da fabricação e consumo de produtos com “sabor chocolate”.
Esse movimento impacta diretamente a composição dos itens nas prateleiras. “Essa expressão indica que o produto não atende aos critérios legais para ser considerado chocolate de fato. Em geral, ele não possui quantidade suficiente de cacau e utiliza aromatizantes e gorduras vegetais no lugar da manteiga de cacau”, explica Eva Andrade, docente de nutrição da Estácio.
O chocolate tradicional tem como base o cacau, incluindo a massa e a manteiga que são responsáveis por suas características; produtos com sabor de chocolate apresentam menor teor de cacau e utilizam ingredientes substitutos que comprometem a qualidade do produto.
Do ponto de vista nutricional, a profissional explica que chocolates com maior teor de cacau tendem a apresentar menor quantidade de açúcar e maior concentração de compostos bioativos, como os polifenóis, que possuem ação antioxidante. “Por outro lado, os produtos ‘sabor chocolate’ são mais ricos em açúcar e gorduras de menor qualidade, com baixo valor nutricional e maior densidade calórica”, diferencia.
Prejuízos à saúde e escolhas para a Páscoa
Mesmo com o custo mais elevado do chocolate tradicional, a especialista destaca que neste caso é aconselhado consumir uma menor quantidade do produto mais nutritivo. “É recomendável observar a lista de ingredientes, priorizando produtos com formulações mais simples e evitando aqueles com gorduras vegetais adicionadas”, orienta Eva.
No Brasil, o tema tem ganhado relevância porque o parâmetro para um produto ser considerado chocolate pela ANVISA – atualmente, em 25% de cacau na composição – pode mudar. Um novo projeto, nº 1.769/2019, aprovado na Câmara dos Deputados e encaminhado para o Senado propõe elevar esse percentual mínimo para 35%, com o objetivo de valorizar o cacau nacional e regulamentar a forma como as informações devem constar na embalagem do produto.
A especialista finaliza dizendo que a principal orientação é adotar o equilíbrio como base das escolhas alimentares. “O chocolate pode fazer parte da alimentação, desde que consumido com moderação. Não se trata de restrição, mas de incluir esse alimento dentro de um padrão alimentar saudável, evitando excessos. Dessa forma, é possível aproveitar a Páscoa com equilíbrio e sem prejuízos à saúde”, pontua.


